quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Perfeito

Sei que não o devia fazer, aliás... sobre ti? Sobre ti não posso escrever! Espera... Eu disse em tempos que somos nós quem 'diz'', não disse? Então...
A verdade é que nada sei, nem nada sinto. Tal como tu, suponho. E ainda menos sinto, e sei, quando me perco nos teus olhos... E quando tento respirar no sufoco daquela Onda melódica que sopraste... Ou quando sou consumida pela minha própria paixão... E quando sou livre, por ser quem sou... Também quando sorrio no silêncio das palavras... E ainda quando percebo que não sou assim tão grande, nem tão pequena... Até quando me sinto confortável, ainda que estranha, confortável. Sinto e sei ainda menos, quando percebo que afinal de mim nada sei... mas tu sabes. Ou quando admito sentir, sem sentir nada... Também quando desejo perder a razão, e a ti me dar.
Espera, isto é fácil de perceber - eu nada sei, nem nada sinto. Apesar de, por vezes, sentir demasiado.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

.


Hoje acordaste quase que desfocado. O teu antigo eu, talvez o meu...
Quando dei por mim, já estava a ser engolida por estes gritos solitários e quase sufoquei... mas sabes que mais? Hoje nem chorei!
Vi-te longe, muito longe. Pequeno, mas tão pequeno... Pensei que serias impossível de ouvir, muito menos de sentir... Enganei-me! Sou pequena...ainda mais pequena.

Acho que me encolhi, tremi e desejei voltar a mim...

Suspiro
. A minha cabeça gira ao som daquelas frases soltas
(afinal sei-as de cor).
Fecho os olhos
.
Um monte de slides a preto e branco atropela-me as ideias.
Tento reagir
. Um nó muito apertado rouba-me movimentos.

Mas nem penses...! Porque segundo o tempo, eu vou continuar a crescer, e tu... voltar a adormecer.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Porque sim


Quem diz o que devemos, podemos ou não fazer? Para mim a resposta é clara - ninguém, a não ser nós. Hoje isto foi errado, para mim, talvez para ti...
Perguntas-me se sinto?
Há várias formas de sentir. A resposta é sim.
Perguntas-me se não podes viver? Se não me tirares vida a mim. E a resposta é sim. Perguntas-me porque foi errado? Também penso, para além de sentir. Por isso é só sim. Perguntas-me se esqueci o passado? Ele existe, nada feito. De alguma forma, a resposta é sim. Perguntas-me se há confusão? Estás-me a perguntar pela própria vida, logo... Sim e ainda bem. Perguntas-me simplesmente porquê? Nem tudo as palavras podem explicar. Então... é um 'porque sim'.

domingo, 18 de Outubro de 2009

Monotonia


Hoje sou nada. As palavras insistem em ficar presas num enorme desespero às ideias. A música vagueia na cabeça mas intimida-se e nem se atreve a chegar aos dedos.
O padrão é fixo, estável, demasiado estável. Nele não passam slides de memória, nem aromas, nem sons (in)tranquilizantes. Hoje não se cansa de repetir - é o preto-branco, preto-branco, preto-branco. Até o movimento dos dedos é lento e hesitante.
Ergo a cabeça na tentativa de mudar o panorama. Mas que raio, até esse é preto e branco! Até mesmo as figuras decidem jogar pelo seguro e não saltam mais do que uma linha. Que monotonia!
Hoje, este meu espelho nada reflecte, excepto um bloco frio, escuro e pesado, incapaz de qualquer manifestação.

Que chegue amanhã, que eu hoje sou nada.

sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Um dia vou...


Um dia vou:
- Voar;
- Lutar e ganhar;
- Conhecer o mundo;
- Saber quem sou;
- Tocar piano melhor do que falo;
- Escrever um livro;
- Viver na Baixa de Lisboa;
- Mudar o mundo;
- Ser quem sou;´
- Estudar decoração e design de interiores;
- Dar tudo o que tenha;
- Criar uma Lei para o psicológico;
- Descobrir caminhos;
- Ser mãe;
- Ter um original de Dalí logo em frente à minha cama;
- Amar quem sou;
- Voltar a dançar com eles;
- Criar e viver num mundo de fantasia real;
- Fazer as minhas próprias roupas;
- Abrir uma Galeria de Arte;
- Acordar.

segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Ontem sonhei com Ela


Ontem sonhei com uma menina, ontem sonhei com Ela.
Os cabelos claros, alinhados ao longo de um rosto rosado. Os olhos enormes, expressivos, cintilantes. A postura imponente enraizada num corpo bebé. E aquela vida? Aquela vida contagiava qualquer sala em que entrasse...!
Ontem sonhei com Ela, ontem sonhei com o decrescimento dela.
Os cabelos claros, desgrenhados por cima de um rosto arranhado. Os olhos vincados, inexpressivos, lacrimejados. A postura fetal enraizada num corpo prematuro. Aquela apatia - a apatia reflexa de tudo o que se passou naquela sala.
Ontem à noite sonhei com Ela. Ontem à noite não dormi.

quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Sótão


Uma escada, uma porta, sete chaves.

Abriu-se o sótão. Continua sujo, contaminado. Pairam bolas de cotão - história, jogo,
emoção.

Caixas, truques e brinquedos - todos numa
mão.

Uma casa, uma prisão. Uma recompensa
e uma sanção.

É a magia, a fantasia. Um vulto negro
e um segredo.

Em cada jogo, uma aliança. No meio do fogo, uma criança
.

Aqui dentro, jogadora. Lá fora, sonhadora.

Hoje é escuridão. Amanhã é ilusão.

É a verdade, é a mentira. Um misto de amor e ira.

Ganha a culpa inocente e a
vergonha respondente.

Perde a coragem acusadora e a realidade esmagadora.

sexta-feira, 27 de Março de 2009

Corpo?


Quem és tu corpo estranho, que insistes em tentar mostrar quem sou? Quem és tu que desde sempre me acompanhas e há tanto que és só manhas?
Já disse que não - não preciso dessas grades. Tanta teimosia, rebeldia e fantasia.
Já disse que não - não preciso de aparência.
Não és eu, eu não sou tu, não somos um. Estou cansada dessas ordens - elas no fundo são só desordens... Desaparece!
Já disse que não - hoje não me apetece. Não me apetece ouvir-te e muito menos sentir-te.
És maldoso, és conflituoso. És uma imagem distorcida e retorcida. E ainda assim persistes -persistes em embaciar o espelho e em reflectir alguém alheio.
Já disse que não - que não te quero. Quero barreiras e fronteiras.
Tantos em busca da dualidade. Mas para quê? Todo tu és falsidade.
Quem és tu corpo estranho? Quem és tu que só me enganas?

sábado, 7 de Fevereiro de 2009

Resposta a um dos Desafios da Zlati


Têm surgido por aí uns desafios aos quais ainda não respondi. Hoje ao reler o blog da Zlati, decidi começar a responder aos seus desafios.

As regras são:

1. Colocar uma foto minha
2. Escolher um artista ou banda favorita.
3. Responder às questões ,que se seguem, utilizando títulos de canções do tal artista ou banda escolhida.
4. Passar o desafio a 4 pessoas.


A banda que escolho são os Evanescence que me marcaram pela sua música e letras durante o periodo crítico da minha vida e, ainda hoje, me identifico com elas.

És homem ou mulher? "Everybody's Fool"

Descreve-te: "Fields of Inocence"

O que é que as outras pessoas pensam a teu respeito? "Missing"

Como descreves a tua última relação? "Call Me When You're Sober"

Descreve o estado actual da tua relação: "Before the Dawn"

Onde gostarias de estar neste momento? "Anywhere"

O que pensas a respeito do amor? "Give Unto Me"

Como é a tua vida? "My Immortal"

O que pedirias se apenas tivesses um desejo? "Imaginary"

Escreve uma frase sábia: "And in this short life, there's no time to waste on giving up."

Quem ainda não deu resposta a este desafio, é uma boa oportunidade para o fazer! É engraçado ver como músicas alheias, de outrem, podem ganhar sentido em tantas e diversas dimensões.

sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Não. Não esqueci.


Sim, gosto de ti. Não, não te esqueci. Deixaste parte de ti, levaste parte de mim. Perfumaste-me com essa tua essência genuína. Fizeste-me erguer, ver, viver. É(s) impossível esquecer.
A distância (supostamente) temporária, trouxe um receio intenso de regressar.
Sim, conheces-me. Abriste o meu cofre, organizaste-o com essa magia e deixaste-o entreaberto. Não, não alterava o lugar de nada.
Estás distante, tal como eu. No entanto, sinto-te. Sinto-te próxima a cada gesto, em cada memória.
É estranho, odiável. Ainda que perto, estou mais longe do que quando realmente estava. Não te (me) consigo ver.
Falta-me essa espontaneidade. Faltam-me esses olhos espelhados, preenchidos. Falta-me o preto. Falta-me o branco. Falta-me o meu próprio cinzento.
Sim, gosto de ti. E não, não te esqueci.

segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Passou


Quem sou eu? Não, não me conheço. Sou ninguém. Sou tudo o que odeio - a frustação do que ambiciono ser.
Preciso da certeza, da vontade, da teimosia. Preciso de sonhar, de acreditar.
Sou apenas a urgência insaciável de antigas sensações, emoções. Sinto uma facada ao acordar e ao perceber: "É passado. Acabou."
Preciso da música - da música que invadia os corredores da escola, que invadia as salas de aula. Preciso da criação - dos materiais, do desenho, dos projectos, da cor, da forma e da textura. Preciso da admiração - da admiração pelos que me fizeram aqui chegar. Preciso do tédio - das viagens de metro, dos almoços desmesurados, das horas simplesmente sem nada para fazer. Preciso da cumplicidade - das horas dos vícios, dos intervalos. Preciso das crianças - daquelas que me faziam chorar com apenas um abraço e duas palavras. Preciso da rotina - da confortável rotina que tanto tentei alterar. Preciso da atenção - da qual protestava e vomitava. Preciso da dança - do relaxamento, da expressão, da união. Preciso de casa - da qual tantas vezes me apeteceu fugir. Preciso do meu irmão, da minha irmã - as minhas únicas certezas. Preciso da mãe - do conforto, da resposta, da aposta, do orgulho.
Tantas pessoas, sensações, sentimentos e emoções, completamente presos ao passado.
"Só damos valor quando nos falta" - é algo que pela primeira vez realmente me faz sentido. E afirmo, mais uma vez (talvez pela centésima): o meu capítulo colorido, já passou.

domingo, 11 de Janeiro de 2009

Quero


Voltar. Quero voltar atrás. Quero ser criança . Ser imparcial. Não saber nada. Mas... eu sempre soube tudo.
Quero voltar atrás. Quero ser eu, ser ninguém. Será que... já fui alguém?
Fugir. Desaparecer. Morrer. Em vez de... viver, sobreviver.
Quero. Quero voltar atrás. Ser criança. Amar, ser amada. Desculpar, ser desculpada. Ou... talvez odear e ser odeada. Talvez culpar e ser culpada.
Quero voltar atrás. Quero ser criança. Quero. Não ter ideias. Não ter de lutar. Não ter de optar. Bem... sempre o fiz.
Odeio o sim. Odeio o não. Odeio o preto. Odeio o branco. Odeio odear. Odeio amar.
Quero. Quero voltar atrás. Quero ser criança. Não... eu nunca o fui. Quero ser inocente. Acreditar. Confiar. Quero ser criança... não outra vez, só uma vez. Se voltar... será que posso mudar?

sábado, 3 de Janeiro de 2009

Gosto de...


Gosto das luzes de Lisboa. Gosto do céu azul e da luz do sol, num dia frio de Inverno. Gosto de mimos. Gosto de concertos. Gosto de ir a uma galeria de Arte e ver o meu quadro favorito. Gosto de viajar. Gosto de banhos na praia com chuva. Gosto de ouvir a minha música favorita na rádio. Gosto do som da chuva enquanto estou deitada no quente. Gosto de gargalhadas com amigos. Gosto de cumplicidades. Gosto de um bom café acompanhado por um slim de mentol. Gosto de cinema e pipocas. Gosto de saber que alguém gosta de mim. Gosto de surpreender. Gosto que me digam que estou mais magra. Gosto do inconformismo. Gosto do céu em tons de lilás e laranja ao fim da tarde no Verão. Gosto de fazer directas a estudar e ser recompensada com a nota. Gosto de dar. Gosto de beijar. Gosto de pianos. Gosto de um abraço de uma criança. Gosto de chocolate de leite. Gosto de festas do pijama. Gosto que me liguem só para dizer "olá". Gosto do Tom & Jerry. Gosto de estar lá nos piores momentos. Gosto de ir lanchar à Baixa de Lisboa, só porque sim. Gosto do Fernando Pessoa. Gosto de ligar o despertador no fim-de-semana e poder desligá-lo porque não tenho aulas. Gosto de ver cartazes da minha banda preferida. Gosto de não ir a uma aula, só porque não me apetece. Gosto de olhos. Gosto de velas. Gosto da simplicidade. E tu, do que é que gostas?

sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Ilusão


Ilusão. Um misto de sensações visuais, tácteis, auditivas... assombram-me em cada respiração, cada passo, cada acção. Ilusão. Um conjunto de sonhos, realidades partilhados e mutuamente(?) vivenciados. Ilusão. Um suspiro, um desejo, uma magia... inalcançaveis. Ilusão. Uma fogueira, uma esperança, em vão alimentadas. O aroma, o olhar, o toque. Tudo uma ilusão.
Ilusão. O que a sucede? Desilusão.
Ilusão. Foi ela própria que se impôs. Ela própria me fez render. Ela própria me fez desejar...o indesejável. Desejei eterno o efémero. Desejei palpável o invisível. Desejei inconsciente o consciente. Desejei infinito o finito.
Por momentos acreditei na concretização de todos os meus desejos. Fui artisticamente seduzida pela arte da Ilusão. Nada foi, nada é, nada será o que parece. Cuidado. Anda aí a Ilusão.

domingo, 7 de Dezembro de 2008

Chegada Vs Partida


Apareceste sem avisar. Sem nenhuma justificação ou razão aparente.
Contigo, trazes a ambiguidade - autoritária, firme, fria, confusa, permissiva, meiga, terna...
Partilho, identifico-me, revejo-me. Entrego-me a um furacão proibído de pensamentos manipulados por sentimentos e emoções.
Cada vez mais perto, cada vez mais longe. Vejo o que muitos vêm, o que ninguém vê. Por momentos desejava cegar.
Não te conheço a ti, nem tu a mim, no entanto, deste-me a conhecer laços que até agora desconhecia.
Temo a distância, também a proximidade - temo o que consigo possam trazer. Tudo é motivo para inquietude. Por momentos, desejo a indiferença.
Sentimentos? Emoções? Hoje são difíceis de distinguir. Até os pensamentos, de tal forma manipulados, se confundem com os primeiros.
Apareceste, sem avisar, com uma forma de ser assustadoramente encantadora. Foi estranha a tua chegada. Questiono-me acerca da tua partida.